sexta-feira, 23 de abril de 2010

261

261 é o número de vítimas fatais no estado do Rio de Janeiro, de acordo com a
Defesa Civil do estado. O número é crescente, pois muitos corpos ainda estão sob
escombros.



A frente fria que causou tamanha tragédia também provocou transtornos diversos
no nordeste, especialmente na Bahia e Sergipe, com alagamentos e milhares de
desabrigados.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

O Pinball Meteorológico

Texto de David Herring, Wayne Higgins e Mike Halpert (NOAA). Versão original em:

http://www.climatewatch.noaa.gov/2010/articles/can-record-snowstorms-global-warming-coexist


O tempo (meteorológico) e o clima descrevem o comportamento das variáveis
ambientais, mas para diferentes escalas de tempo e espaço. Enquanto meteorologistas
prevêem as condições meteorológicas para um determinado e curto intervalo de
tempo (cerca de uma semana), climatologistas tentam descrever a frequência esperada
e a intensidade dos fenômenos meteorológicos sobre uma escala de tempo bem maior,
como estações do ano, décadas ou até séculos.




Para prever sobre tais escalas de tempo, os climatologistas necessitam entender o estado
atual das forçantes ambientais de grande escala que se desenvolvem lentamente direcionando
o sistema climático. Mas sendo a previsão do tempo uma tarefa de razoável complexidade,
como é possível prever as condições climáticas? Imaginando o sistema climático como um
antigo jogo de pinball ajuda a nos ilustrar porque é mais difícil fazer uma previsão
de um evento meteorológico particular para mais de uma semana do que fazer uma
previsão climática.

Lançando uma bola no pinball, é muito difícil prever o caminho que ela tomará,
bem como o buraco em que ela terminará. A interação de inúmeras variáveis
torna esta tarefa difícil, principalmente depois que a bolinha atinge um ou dois
obstáculos. Assim é como o tempo. Mas depois de jogarmos a bola centenas ou milhares
de vezes e observarmos as trajetórias e os buracos em que terminam, podemos
obter as probabilidades de uma bolinha terminar em um dado buraco. Isto é
como prever a variabilidade climática.





Supondo que mudemos as condições gerais do pinball por inclinar o jogo para
um lado. Esta inclinação certamente afetará as trajetórias e os buracos das
próximas centenas de bolinhas. Se por um lado ainda assim não temos condições
de prever com precisão os buracos que as bolinhas terminarão, pelo menos
aumentamos drasticamente a probabilidade de acertar os buracos onde a
maioria das bolas terminarão. Esta inclinação pode ser temporária, como no
caso de um El Niño. Contudo, ainclinação pode ser mais permanente, como
a ação dos gases de efeito estufa na atmosfera. Tal inclinação mais permanente
seria como o aquecimento global. E assim como no pinball, no clima a magnitude
da inclinação importa.

Para entender o clima e detectar as mudanças climáticas é necessário um grande
período de registro de dados - quanto maior, melhor. A analogia com o pinball
mostra como a previsão de um único evento meteorológico é inerentemente difícil
e porque não devemos basear nossas avaliações climáticas em um único evento.
Dado um registro de dados por um longo tempo e um bom conhecimento do
estado das forçantes que influenciam no sistema, pode-se obter um quadro
probabilístico do clima futuro.

Atualmente, tende-se a diminuir a idéia de aquecimento global a cada nevasca, ou
de promovê-la a cada onda de calor. Contudo, não devemos tecer conclusões
baseando-se somente em dados de um único ano, muito menos em um único
evento.




Nosso conhecimento atual sobre tempo, variabilidade climática e mudança
climática reforça a idéia de que nem todas as partes do globo se aquecerão
da mesma maneira, nem mesmo poderão se aquecer continuamente.


Fonte do texto: Climate Watch Magazine
Figuras: isiria.wordpress.com, climatewatch.noaa.gov, meteorologyclimate.com

Tempestade provoca tragédia na Índia

Uma tempestade matou pelo menos 76 pessoas e destruiu cerca de 100.000 casas no estado de Bengala Ocidental, leste da Índia, informou nesta quarta-feira o governo local. A tempestade durou 45 minutos, com rajadas de até 120 km/h.  Algumas fontes já elevaram a tempestade tropical à categoria de ciclone.




Nitish Kumar, um dos principais ministros do governo de Patna, capital de Bihar, afirmou que 25 pessoas morreram neste estado.



Fonte: uol.com.br, cnn.com, nydailynews.com, tolerance.ca

As nevascas recordes e o aquecimento global

O texto abaixo é um resumo do trabalho de David Herring, Wayne Higgins e Mike Halpert, publicado
na revista Climate Watch Magazine, do NOAA.
A matéria completa está disponível em http://www.climatewatch.noaa.gov/2010/articles/can-record-snowstorms-global-warming-coexist
Dica: SBMET

Podem os índices recordes de nevascas nos EUA e o aquecimento global coexistirem?

As nevascas recordes ocorridas em dezembro de 2009 e fevereiro de 2010 em algumas
cidades dos EUA (especialmente Baltimore e Philadelphia) provocam a seguinte pergunta:
Estaria realmente ocorrendo o tal aquecimento global? A resposta é sim. Outros fatos e fatores
devem ser levados em consideração.

Por exemplo: ironicamente, na mesma época das nevascas recordes em cidades americanas
de latitudes médias ocorreram temperaturas acima do normal em cidades de latitudes altas
do mesmo continente. Em Vancouver, Canadá, este foi o janeiro mais quente da história.
Organizadores dos Jogos Olimpicos de Inverno tiveram que usar caminhões e helicópteros
para trazer neve para as competições de ski e snowboarding.



O que ocorreu entre as cidades americanas e as canadenses mais ao norte não é uma questão
de mudanças climáticas; é uma questão de variabilidade climática. É a variabilidade climática que
explica porque podem ocorrer grandes nevascas em um cenário de aquecimento global.

A previsão do CPC/NOAA para o inverno nos EUA, feita em 15/10, enfatizou o fato de estarmos
sob condições de El Niño, o que levou à previsão de um inverno mais úmido e tempestuoso
para a região mais ao sul e um inverno mais seco para as regiões noroeste e Ohio Valley. Como
previsto, tais condições ocorreram.



Porém, o El Niño não foi o principal agente deste inverno anômalo. Tal papel foi desempenhado
pela Oscilação do Ártico (AO). No início do último dezembro, a AO entrou na sua fase
negativa, deixando o jato polar mais de sul, afunilando os frios ventos árticos em direção
à América do Norte, norte da Ásia e Europa. Este fenômeno explica porque as pessoas
destas regiões experimentaram um inverno tão rigoroso.

No Ártico (e redondezas), a pressão atmosférica oscila entre dois padrões comuns. A fase
positiva têm pressão abaixo do normal no Ártico e pressão acima do normal nas redondezas,
o que tende a manter a região mais fria, com o ar polar limitado à região polar. Já na fase negativa,
sobre o Àrtico persiste a pressão acima do normal e sobre as redondezas uma pressão
abaixo do normal. Esta condição permite que o ar polar escoe em direção às latitudes
mais baixas, baixando a temperatura nestas regiões. Na figura abaixo, observamos a fase
negativa da AO, que ocorreu de dezembro à fevereiro.

No último inverno do HN, as características persistentes da AO foram observadas diariamente,
com os valores mais baixos da história. A manifestação regional da AO referente ao Atlântico Norte,
chamada Oscilação do Atlântico Norte (NAO), também apresentou seus menores valores sazonais
da história.

Sabe-se que tanto o El Niño como a AO quando atuam isoladamante podem causar grande
impacto no clima global. Quando atuam juntos, como recentemente, dominam os padrões
climáticos da estação. A grande quantidade de energia e umidade vindas do Pacífico devido
ao El Niño e o jato polar despejando ar frio nas latitudes médias foram os combustíveis
para as nevascas recordes nos EUA. A figura abaixo mostra os campos compostos de
anomalia de temperatura para os casos em que o El Niño e a fase negativa da AO coincidiram
durante o período de 1950-2009. Nota-se a semelhança com o padrão deste último
inverno.

Logicamente, a variabilidade climática atua nos dois lados, isto é, enquanto algumas
regiões sofrem com invernos anomalamente rigorosos, outras experimentam invernos
anomalamente quentes. Isto é uma prova que as considerações sobre o clima em
uma grande escala temporal não devem ser determinadas a partir de fenômenos
climáticos regionais de curta duração.

Fonte: Climate Watch Magazine (NOAA Climate Services)

sexta-feira, 9 de abril de 2010

"Foi a pior chuva da história", diz governador

Na noite de terça-feira (06/04) o governador do Rio de Janeiro foi enfático:
"Foi a pior chuva da história". A afirmação é baseada nos dados: 288mm em
24 hs. Contudo, o INMET ainda deve se pronunciar a respeito.



Até agora os mortos somam 184, mais de 100 só em Niterói, cidade mais atingida
por deslizamentos.




Alguns pontos de alagamento na capital têm problema em escoar a água devido à
maré alta no oceano, que com ondas de até 2 metros de altura chegou a espalhar
areia nas pistas do aeroporto Santos Dumont.



Fonte: clicrbs.com.br; uol.com.br; globo.com; terra.com.br

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Tragédia do RJ supera a de SC

O número de mortes em decorrência da chuva no estado do Rio de Janeiro subiu para 154, até o início
desta tarde, de acordo com a Secretaria de Saúde e Defesa Civil.




As mortes por conta das chuvas que castigam o Estado do Rio desde a noite de terça-feira superaram o desastre ocorrido em Santa Catarina, em novembro de 2008, com o total de 135 óbitos. São centenas
de feridos e o número de desaparecidos pode chegar a 200 devido, principelamente, ao delizamento
no morro do Bumba, em Niterói.




Os desabrigados já somam 14 mil. Além dos deslizamentos, na cidade os transtornos continuam.



Além das condições climáticas propícias à formação de chuva no Rio, a alta quantidade de umidade na Amazônia potencializou a chuva que atingiu o Estado. De acordo com a prefeitura, em 24 horas choveu 288 milímetros na cidade do Rio, superando o recorde histórico de 1966, que era de 245 mm (cada milímetro equivale a um litro de água por metro quadrado).


Fonte: band.com; uol.com.br

terça-feira, 6 de abril de 2010

Rio, cidade cachoeira

Diversos estudos indicam o aumento no número de eventos severos ao
redor do globo. Nesse sentido, os extremos de precipitação constituem
os eventos meteorológicos mais fatais.

Nos últimos dois dias o mundo se volta à cidade do Rio de Janeiro e
arredores, que encaram a maior taxa de precipitação dos últimos 30 anos
de acordo com o Inmet.

Em 14 horas choveu o dobro da média de todo o mês. Até o início
desta tarde se somam 79 mortos e 16 desaparecidos.

Lagoa transborda e pedalinho para no meio da rua


O trânsito virou um caos, com ondas sobre o asfalto

Os deslizamentos, como sempre, foram os principais responsáveis pelas vítimas fatais

A força da água virou carros

Maracanazinho alagado, time de Bernardinho passa a noite no ginásio


Fonte: g1.com