sexta-feira, 12 de março de 2010

Diretor do Inpe responde

O site G1.com entrevistou o diretor do Inpe Gilberto Câmara.
Apesar do enfoque principal ser a compra de um novo supercomputador,
temas como a contrução de um satélie brasileiro e o aquecimento
global também foram discutidos. Abaixo, alguns trechos da entrevista:

G1 - Com eventos climáticos extremos, monitorar e prever o tempo se torna cada vez mais importante. O Inpe está preparado essa exigência?
Gilberto Câmara - Estamos terminando de comprar um novo supercomputador. Vamos ter uma máquina de 16 teraflops [16 trilhões de operações matemáticas por segundo]. Deverá ser a maior máquina de previsão do tempo do mundo, e esperamos que até meados do ano ela já esteja funcionando.

Hoje temos um modelo de previsão do tempo com uma grade de 20 quilômetros. Isso significa que cada ponto onde é calculada a previsão fica a 20 quilômetros do mais próximo. Até o final do ano vamos passar para cinco quilômetros, e poderemos capturar eventos mais localizados. A gente conseguiria, em São Paulo, saber a diferença entre a chuva que vai cair Zona Leste e a que vai ocorrer no Centro.



Fizemos uma simulação para saber como teria sido a previsão dos eventos climáticos em Santa Catarina [que ocorreram em 2008] se nós já tivéssemos um supercomputador desses. A previsão teria sido bem mais apurada. Ela não foi ruim, mas não teve detalhes suficientes para antecipar a magnitude do evento.

G1 - E quanto a nova máquina vai custar?

Gilberto Câmara - Ao todo nós recebemos R$ 50 milhões do governo, em uma cooperação entre o Ministério da Ciência e da Tecnologia (MCT) e a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Isso inclui a máquina, que deverá custar entre 30 e 35 milhões, manutenção, pessoal e outros custos, já que um computador desses puxa 600 kVA de energia. Tem que ter uma central de ar condicionado e uma central elétrica só para manter essa máquina.


G1 - Em dezembro, a desativação do satélite Goes 10 mostrou que dependemos dos norte-americanos para monitorar o tempo a partir do espaço. O Brasil tem condições de ter os seus próprios satélites com essa função? Existem planos para isso?


Gilberto Câmara - O satélite Goes 10 tinha sido emprestado pelos EUA para a América Latina. Antes, ele ficava mais ou menos em cima de Quito, no Equador, para ver furacões no Golfo do México, e depois foi movido para cima do Brasil. Era um satélite de segunda mão, pois já tinha sido usado e foi substituído por outro. Eles vão emprestar mais um a partir de maio. Então estamos vivendo de satélite emprestado.
Em médio prazo, o Brasil precisa ter um satélite nessa posição para não depender dos norte-americanos. Temos uma relação excelente com a Nooa [órgão norte-americano que mede as condições do oceano e da atmosfera], mas o plano é ter um satélite geoestacionário nosso.

O Inpe já apresentou esse plano para a Agência Especial Brasileira [AEB], e agora é questão de dinheiro. Custa cerca de 800 milhões de reais. Eu acho que não é muito para o Brasil, que está comprando rafales a bilhões de reais, usando tecnologia dos outros. Esses R$ 800 milhões seriam para desenvolver com tecnologia nacional. Não nos interessaria comprar satélites prontos. Isso o Inpe não faz.

O Brasil é um país tropical onde o território tem uma enorme importância econômica, política, até quase afetiva com seu território. O Brasil precisa monitorar a Amazônia, o Cerrado, a costa, o oceano, o clima. Temos que melhorar sempre a capacidade de tomar conta do país. Estamos discutindo isso com a AEB e estamos otimistas.

G1 - No início de 2008 houve uma polêmica com o governo de Mato Grosso sobre o monitoramento da Amazônia, depois uma rusga com o Ministério de Minas e Energia por causa do apagão. Isso mostra que o trabalho do Inpe pode incomodar o poder público. Os cientistas têm conseguido trabalhar com liberdade dentro desse ambiente?
Gilberto Câmara - Se nós fizermos uma escala de liberdade de ação dos institutos do estado como o Inpe, IBGE e Embrapa, veremos que o Brasil está em um grau superior de maturidade em comparação com a China, Índia ou Rússia. Temos as melhores práticas públicas de transparência do mundo. O ponto de referência são os EUA, mas mesmo lá os cientistas da Nasa chegaram a ser censurados.

A partir do governo Lula, o Inpe consolidou a política de disseminação ampla de todos os seus dados. Uma política aberta facilita muito a apreensão da sociedade e reduz os riscos de manipulação. Eu já tive divergências com vários ministros, mas nunca me pediram para tirar alguma coisa da internet.


G1 - O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) está sofrendo uma crise, primeiro com o vazamento de mensagens trocadas entre cientistas, depois com a acusação de seu presidente faz assessoria para empresas. Muitas pessoas dizem que tudo isso é orquestrado. Qual sua opinião sobre esses casos?
Gilberto Câmara - O IPCC está com as verdades inconvenientes. Algumas dessas verdades são muito graves e têm um impacto enorme na sociedade atual e no futuro. É mais fácil desconstruir o IPCC do que enfrentar o fato de que é preciso mudar as práticas de uso de energia do mundo. É uma campanha orquestrada, do mesmo jeito que, nos anos 1960, os institutos de pesquisas associados aos grandes produtores de cigarro negavam insistentemente que havia risco à saúde ao fumar.



No caso daqueles e-mails [que vazaram], não há nada de anormal, de excepcional. São comentários que os cientistas fazem, às vezes por gozação. Além disso, os dados de evidências de mudanças climáticas não são só trabalhados por aquele grupo britânico. A quantidade de dados consistentes sobre aquecimento global são muito grandes, de muitas fontes independentes, de observação de muitos fenômenos, desde gelo do ártico, temperaturas observadas no Havaí, aumento do nível do mar, diminuição das geleiras, temperaturas mais quentes no verão europeu, aumento das chuvas e tempestades no Brasil.

Fonte: G1.com

Imagens 3D do centro de baixa pressão na costa de SC

NASA divulgou imagens 3D (satélite TRMM) do fenômeno. As
características deste centro de baixa são similares ao furacão
Catarina, de 2004.



A NASA batizou o fenômenos de "tempestade tropical 90Q". A agência
espacial japonesa (JAXA) também colaborou na montagem tridimensional
das figuras.



Fonte: G1.com

quinta-feira, 11 de março de 2010

Magma pode estar derretendo gelo da Groelândia

O aquecimento global pode não ser o único fator a provocar o derretimento do gelo
da Groelândia. Cientistas descobriram que pelo menos uma fonte de magma sobre a
ilha do Ártico poderia contribuir no processo.



Nos últimos anos, o gelo da Groelândia vem se derretendo e escoando cada vez mais
rapidamente para o mar; uma quantidade recorde de gelo derretido ocorreu no
último verão, de acordo com dados recentemente liberados, e o aumento da temperatura
global é o suspeito de ser o principal motivo.

Mas sinais de uma nova contribuição natural para o derretimento surgiu quando
cientistas descobriram um local onde a crosta terrestre é mais fina, na parte
nordeste da plataforma de gelo da Groelândia, em que o calor do interior da Terra
poderia penetrar. A pesquisa foi apresentada no último encontro da American
Geophysical Union (AGU).

"O comportamento da grante plataforma de gelo é um importante barômetro das
mudanças climáticas globais. Contudo, para separar e quantificar efetivamente os
impactos humanos na mudança climática, devemos também entender os impactos
naturais", disse o autor da pesquisa Ralph von Frese da Ohio State University.



A região da Groelândia onde a fonte de magma foi encontrada não tinha correntes
de gelo (derretido) conhecidas. O que exatamente provocou esta nova corrente
ainda é incerto. "Correntes de gelo tem que ter alguma razão para existir, e é
surpreendente observar repentinamente uma no meio da plataforma de gelo", disse von
Frese. Essa nova fonte de magma (hotspot) - um ponto onde a crosta terrestre é
mais fina, permitindo ao magma do manto terrestre chegar mais perto da superfície -
situa-se logo abaixo da plataforma de gelo e poderia causar o derretimento, sugere
a equipe de von Frese.



Dica: Luis França (meteopt.com/forum)

A Era do Gelo e o CO2

Estudo conclui que era do gelo tinha baixa concentração de CO2
da New Scientist

Como uma grande era do gelo aconteceu quando os níveis de dióxido de carbono eram altas?

Esta é uma questão que os céticos do aquecimento global frequentemente fazem. Mas algumas vezes a resposta correta é a mais simples: acontece que os níveis de CO2 não eram assim tão altos, afinal de contas.

A era do gelo do período geológico Ordoviciano, da era Paleozóica (cerca de entre 488 a 443 milhões de anos atrás) aconteceu há 444 milhões de anos, e registros sugeriam que os níveis de CO2 eram relativamente altos nessa época.

Mas quando Seth Young, da Universidade de Indiana, em Bloomington, realizou uma detalhada análise dos níveis de carbono-13 nas pedras formadas naquele tempo, o quadro que apareceu ficou muito diferente.




O cientista descobriu que as concentrações de dióxido de carbono (CO2) eram na verdade relativamente baixas quando a era do gelo começou.

Lee Kump, da Universidade do Estado da Pensilvânia, em University Park, disse que estudos anteriores perderam a precisão porque calcularam níveis a invervalos de 10 em 10 milhões de anos, e a era do gelo durou apenas meio milhão de anos.

O pesquisador diz que uma forte atividade vulcânica depositou novas pedras de silicato na época, que tragaram CO2 do ar enquanto erodiam.

Conforme o gelo se espalhava, no entanto, o gelo gradualmente cobria as pedras, fazendo com que a erosão ficasse mais lenta e assim permitisse que o CO2 se recuperasse na atmosfera mais uma vez. Isto teria acabado por esquentar a atmosfera o suficiente para fazer terminar a era do gelo, diz Kump.

Fonte: Folha Online

quarta-feira, 10 de março de 2010

Tuvalu

Tuvalu é a menor nação do mundo, com exceção do Vaticano, e está
afundando. Os 11 mil habitantes desta pequena ilha do Pacífico
ao sul do Equador há anos observam o aumento do nivel do mar.




Os tuvalenses encaram a possibilidade de serem a primeira nação
refugiada no mundo devido à causas naturais. "Toda nossa cultura
terá de ser transplantada", disse o secretário de assuntos internacionais
Paani Laupepa. A maré alta está cada vez mais alta.



Neste fevereiro, a principal via de esfalto, de cerca de 10 km de extensão,
teve vários pontos cobertos por água.




Fonte: worlviewofglobalwarming.org

terça-feira, 9 de março de 2010

Atlântico sul mais quente

A morte de milhares de peixes e moréias na costa do Rio Grande do Norte pode
estar associada às temperaturas mais quentes que o normal do Atlântico Sul.

O superintendente regional adjunto do Ibama, Luiz Eduardo Bonilha, disse que ainda não se podia apontar se foram causas artificiais ou naturais que provocaram a mortandade dos animais marinhos, embora ele falasse em algumas hipóteses, como o aumento da temperatura da água do mar ou até envenenamento por algas marinhas tóxicas



“Em mais de 40 anos pescando nessa praia nunca vi nada do tipo, nem com moreias, nem com outros peixes. Não faço a menor ideia do que pode ter causado tantas mortes”, afirmou o pescador Sebastião da Silva, 65 anos.

O chefe do Setor de Meteorologia da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), Gilmar Bristot, explicou que, realmente, a temperatura da água do mar, desde a costa do Pará e até o sul do Brasil, “está acima do normal em até 1.5 e dois graus”.

“As temperaturas do mar estão mais altas, não resta a menor dúvida”, reforçou Bristot, a respeito de uma tendência que vem se apresentando nos últimos três anos, período em que as águas do Atlântico Sul “tem apresentado valores acima do normal”.

Segundo Bristot, nos anos de 2008, 2009 e agora em 2010, a média da temperatura oceânica na costa brasileira é de 27 graus: “Já é um valor considerável”.

Fonte: anda.jor.br

Enchente em Rio Branco-AC

Agora é a vez de Rio Branco, capital do Acre. O rio Acre está 5 metros
acima do normal. 300 famílias estão desalojadas.


Foto: Angela Peres/Secom