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quinta-feira, 15 de julho de 2010

Supertormentas na Amazônia

Sugestão de James Avelar

Em três dias de janeiro de 2005, meio bilhão de árvores podem ter sido mortas por tempestades enfileiradas que varreram a Amazônia de sudoeste a nordeste. A área do estrago, estimada em 9.000 km2, equivale a quase uma Jamaica. É mais do que tudo o que se desmatou na Amazônia em 2009.

                               Figura ilustrativa

Para os pesquisadores responsáveis por descrever o fenômeno, o desastre pode ser uma amostra incômoda do que o aquecimento global trará para a floresta. Numa Terra mais quente, eventos do tipo podem ficar mais comuns. Isso poderia causar, por sua vez, um círculo vicioso: mais calor mataria mais árvores, o que liberaria mais carbono no ar, aumentando o calor.

O estudo descrevendo a megaderrubada será publicado na revista científica “Geophysical Research Letters” e tem coautoria de cientistas do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e da Unesp.

“Creio que se trate de um fenômeno meteorológico relativamente comum. O que ocorre é que ele ainda não havia sido reportado”, disse à Folha o meteorologista Carlos Raupp, da Unesp.

Raupp explica que os pesquisadores detectaram uma grande linha de instabilidade – aglomerados de tempestades que se alinham por até 1.000 km de extensão. Entre 16 e 18 de janeiro de 2005, um monstro desses saiu da Bolívia e partiu rumo à ilha de Marajó. No caminho, ventos de até 145 km/h mataram gente em Manaus, Manacapuru e Santarém.


Fechando as contas – Tempos depois, a equipe usou dados de satélite e observações de campo para comprovar o estrago deixado pelo vento na região de Manaus. Estimam que, só ali, a linha de instabilidade causou a morte de umas 500 mil árvores – o que ajudou o grupo a fechar as contas da destruição da mata em 2005.

Isso porque, embora a grande mortalidade de árvores na Amazônia nesse ano tenha sido atribuída à seca severa que também assolou a região, “a área de Manaus não chegou a ser afetada”, lembra Raupp. A explicação mais plausível, pelo tipo de dano à vegetação, é que a tempestade seja a culpada. Embora o número de meio bilhão de árvores seja uma extrapolação, já que os cientistas não possuem dados para a Amazônia inteira, Raupp diz que ele faz sentido diante do trajeto da tormenta.

“Em geral, um clima mais quente pode trazer mais tempestades severas, porque a atmosfera consegue reter mais vapor d’água”, diz Raupp. Supertormentas como a 2005, portanto, poderiam causar estragos piores na Amazônia do futuro. (Fonte: Reinaldo José Lopes/ Folha.com)

Fonte: Ambiente Brasil

sexta-feira, 26 de março de 2010

A Amazônia e o IPCC

O cientista Simon Lewis, da Universidade de Leeds, na Grã-Bretanha, diz que decidiu entrar com uma ação contra o "Sunday Times" na Comissão de Queixas contra a Imprensa após reclamar diretamente ao jornal, sem sucesso, por ter sido citado na reportagem com declarações que supostamente apoiavam a tese de que a informação do relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) estava incorreta.

"A verdade é que a informação do IPCC é correta, a Amazônia é vulnerável a reduções na quantidade de chuvas, mas o IPCC cometeu um erro ao fazer referência a um relatório de uma ONG ambiental em lugar do estudo científico original", disse Lewis em entrevista por e-mail à BBC Brasil.

Para ele, "alguns pequenos erros no relatório de 3.000 páginas do IPCC não mudam os fatos básicos sobre as mudanças climáticas, de que os humanos estão provocando um impacto sobre o sistema climático e que mais mudanças podem provocar graves problemas sociais, econômicos e ambientais para muitas pessoas no mundo".

Lewis diz acreditar que esses pequenos erros têm sido usados por pessoas que se opõem aos consensos científicos para atacar o IPCC.

A BBC Brasil entrou em contato com o "Sunday Times" para perguntar a posição do jornal em relação às reclamações de Lewis, mas não obteve uma resposta até o fechamento deste texto.



Polêmica reforçada

A polêmica em relação às informações do relatório do IPCC sobre as consequências das mudanças climáticas para a Amazônia foi reforçada no início de março com a publicação de um estudo da Universidade de Boston, encomendado pela Nasa, a agência espacial americana, sustentando que a floresta amazônica é mais resistente à seca do que indicavam estudos anteriores.

A pesquisa, publicada na revista especializada "Geophysical Research Letters", supostamente reforçava as ideias contrárias à tese da savanização da Amazônia, ao afirmar que imagens de satélites não haviam mostrado diferenças na intensidade do verde da floresta entre períodos de seca e de chuvas mais intensa.

Em resposta, um grupo de 19 cientistas, especialistas em clima e floresta amazônica, publicou uma carta de contestação na qual afirmavam que as imagens de satélite não necessariamente tinham relação com o que estava realmente acontecendo com as árvores no solo.

Os cientistas dizem que a pesquisa da Universidade de Boston é útil para ajudar no entendimento do comportamento da floresta, mas argumentam que ela foi utilizada de maneira incorreta para tentar contestar as conclusões do IPCC.

Fonte (texto): G1.com