Blog com dicas sobre meteorologia em geral e assuntos afins ou nem tanto. São postagens feitas por um grupo de amigos meteorologistas participantes da lista "Papo de Boteco" do Yahoogrupos. Iniciado em Setembro de 2009.
O casamento entre um mal planejamento urbano e uma taxa de precipitação
anomalamente grande é o principal constituinte das tragédias de verão no
sudeste do Brasil. Contudo, em outras regiões, como no estado de Santa
Catarina, tais fatores provocam transtornos graves também em outras épocas.
As centenas de mortes na região serrana do estado do Rio de Janeiro, no que pode ser
considerado uma das piores tragédias da história do país, comprovam essa idéia.
A Zona de Convergência de Umidade continua atuante na região sudeste do
país, provocando intensas chuvas, principalmente na região serrana do
Rio de Janeiro, há dois dias.
Como consequência, só na região serrana até a manhã de hoje o número de
vítimas fatais chegou a 352. Trata-se, portanto, de um dos eventos meteorológicos
mais severos da história da região.
A chuva que castiga a Região Serrana do Rio desde a noite de
terça-feira (11) fez o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet)
registrar cerca de 180 mm de chuva em Nova Friburgo nas últimas
24 horas (de 9h de terça-feira ate as 9h desta quarta-feira).
Segundo o Inmet, o acumulado esperado para o mês de janeiro
era de 200 mm a 250 mm.
Em Teresópolis, outra cidade bastante afetada pela chuva,
o índice pluviométrico foi de 125 mm nas últimas 24 horas.
Na região, também era esperado para este mês de 200 mm a
250 mm.
Até as 15 hs o número de mortos na região chegou a 96 - 71
só em Teresópolis. O secretário do Ambiente do estado do Rio
de Janeiro, Carlos Minc, classificou a chuva que começou na
terça-feira (11), como a "maior catástrofe da história de Teresópolis".
As inundações no Estado de Queensland, as piores em 50 anos, chegam a
cobrir uma área do tamanho da França e Alemanha juntas. Seis pessoas já
morreram, e dezenas de cidades ficaram total ou parcialmente submersas.
Há previsão de mais chuvas nesta semana.
A polícia recomendou que as pessoas evitem viagens pelas rodovias na
região de Brisbane, para deixar as estradas livres para quem precisa fugir.
A localidade de Toowoomba, a oeste da capital estadual, ficou coberta
por dois metros de água e lama. Duas pessoas morreram ao serem arrastadas
pela enxurrada.
Em Brisbane, cidade com 2 milhões de habitantes, moradores de áreas baixas
receberam sacos de areia para proteger suas casas, e foram alertadas de que as
inundações podem se agravar na terça e quarta-feira. Autoridades turísticas do
Estado disseram que o setor pode ser afetado, mas que é cedo para quantificar
o impacto. O país já vem perdendo visitantes devido à valorização do dólar
australiano.
As inundações já causaram prejuízos estimados em 6 bilhões de dólares,
e economistas dizem que a inflação pode aumentar devido à pressão sobre
os alimentos. O setor de extração de carvão, que movimenta 20 bilhões de
dólares por ano no Estado, praticamente parou.
'Com mais chuva caindo, pode levar meses até que as águas recuem e a
extensão dos danos à infraestrutura essencial seja conhecida', disse o
economista-chefe do J.P. Morgan, Stephen Walters.
PARIS (AFP) - Apesar de parecer estranho, os inclementes invernos que assolam a Europa há dez anos estão relacionados, em grande parte, ao aquecimento climático, segundo estudo publicado no Journal de Recherche Géophysique.
À primeira vista, o frio glacial que atinge a Europa parece pouco compatível com a alta média das temperaturas previstas para antes do fim do século, e que poderá alcançar um aumento de 5 ou 6 graus.
Para os céticos que alegam que a mudança climática não existe porque os invernos são cada vez mais frios, vários cientistas respondem que estas ondas de frio são um esfriamento temporário, parte do aquecimento global.
Um novo estudo, no entanto, vai mais longe e mostra que a alta dos termômetros é precisamente a origem destes invernos nevados e tão frios. A causa seria o degelo da calota glacial ártica.
O aquecimento, duas ou três vezes superior à média global, provocou sua redução de 20% nestes últimos 30 anos. Esta calota pode, inclusive, desaparecer totalmente durante os meses de verão antes do fim do século.
Isso permitiu que a força radioativa do Sol fosse mais absorvida pelo mar do que refletida para o espaço pelo gelo e neve, acelerando o processo de aquecimento. Isso afeta os sistemas de pressão, criando uma fonte maciça de calor durante os meses de inverno. "Digamos que o oceano esteja a zero grau", explica à AFP Stefan Rahmstorf, especialista em clima do prestigiado Instituto Potsdam (Alemanha), que pesquisa o impacto das mudanças climáticas. "O oceano está muito mais quente que o ar ambiente nesta zona polar no inverno. Há então um fluxo quente que sobe para a atmosfera, o que normalmente você não tem quando tudo está coberto de gelo. É uma mudança extraordinária", acrescenta.
O resultado, segundo o estudo publicado no início do mês no Journal de Recherche Géophysique, é um sistema de altas pressões que empurra o ar polar no sentido anti-horário, na direção da Europa.
"Estas anomalias podem triplicar a probabilidade de haver invernos extremos na Europa e no norte da Ásia", indica o físico Vladimir Petujov, que coordenou o estudo.
Outras explicações para estes invernos atípicos, como uma baixa da atividade solar ou as mudanças na Corrente do Golfo, "tendem a exagerar os efeitos", acrescenta Petujov. Além disso, o especialista destaca que no inverno glacial de 2005-2006, quando as temperaturas caíram 10 graus em relação às habituais na Sibéria, não foi constatada nenhuma anomalia na oscilação norte-atlântica, um fenômeno meteorológico sugerido como possível explicação desses invernos inclementes.
Os cientistas assinalam que estes invernos tão frios na Europa não refletem a tendência global constatada no planeta, já que 2010 deve ser um dos três anos mais quentes da história.
"Quando olho pela minha janela, vejo 30 cm de neve e o termômetro diz -14 graus", conta Rahmstorf, falando por telefone em Potsdam, e acrescenta: "Ao mesmo tempo, na Groenlândia, estamos acima de zero em dezembro".