segunda-feira, 1 de março de 2010

Xynthia - Ciclone extratropical na Europa

Texto de Vince (meteopt.com) no dia 26/02:

A depressão extra-tropical «Gabriel» (nome nacional no fórum) ou «Xynthia» (nome FU Berlim) foi uma depressão que se formou a sul dos Açores e posteriormente entre a Madeira e Portugal sofreu um processo de forte cavamento significativo devido a um grande gradiente térmico entre massas de ar distintas, baixando a pressão ao largo de Portugal até aos 970hPa (ao largo do Minho), um valor invulgar para o nosso país. A depressão no seu trajecto para a Galiza, Golfo de Biscaia e França continuou a cavar até aos 965hPa ou menos.

Os ventos máximos registados numa estação oficial foram de 147km/h na estação da Pampilhosa da Serra do Instituto de Meteorologia. Outros valores interessantes oficiais foram Penhas Douradas 126.1 km/h, Lisboa com 97km/h, Pedras Rubras Porto com 113km/h, Beja com 104,5km/h. Nas estações amadoras do fórum destacou-se Porto com 124.4 km/h (Snifa), Aveiro 119km/h (jpmartins), Mira-Sintra (Gil) com 113km/h.

Dúvidas no buraco na camada de ozônio

A recuperação do buraco da camada de ozônio é considerada uma grande vitória para os ambientalistas. Mas um novo estudo científico afirma que existe pode existir um lado negativo: seu reparo pode contribuir para o aquecimento global.

Acontece que o buraco causava a formação de nuvens úmidas e claras que protegiam a região antártica do aquecimento causado pelos gases de efeito estufa nas últimas duas décadas, pesquisadores afirmaram na última edição da revista Geophysical Research Letters.

“A recuperação do buraco vai reverter esse fenômeno,” diz Ken Carslaw, professor de ciência atmosférica na Universidade de Leeds e coautor do estudo. “Em resumo, ela vai acelerar o aquecimento em determinadas partes do hemisfério sul.”

O buraco na camada de ozônio, descoberto na Antártida em meados da década de 80, causou preocupação porque a camada desempenha um papel crucial na proteger os seres vivos do planeta contra a radiação ultravioleta.

Sua causa foi, em grande parte, pelo uso humano de clorofluorcarbonetos, compostos químicos usados em refrigeradores e latas aerossol que dissipam ozônio. A adoção de um protocolo internacional em 1987 fez com que muitos países abandonassem gradualmente essas substâncias, o que ajudou a camada a se reconstituir em cima da Antártida.



Para essa pesquisa, os autores do novo estudo se debruçaram sobre dados meteorológicos documentados entre 1980 e 2000, incluindo as velocidades mundiais de ventos, registradas pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF).

Os dados mostram que o buraco gerava ventos de alta velocidade que faziam com que sal marinho entrasse na atmosfera, formando nuvens mais úmidas. Essas nuvens refletem mais luz solar, o que ajudava a evitar o aquecimento na atmosfera antártica, dizem os cientistas. A dispersão de água do mar, causada por estes ventos, resultava num aumento nas gotículas de nuvens de cerca de 46% em algumas regiões do hemisfério sul, disse o Dr. Carslaw.

Mas Judith Perlwitz, professora da Universidade do Colorado e pesquisadora da NOAA (Agência Nacional Atmosférica e Oceânica dos EUA) diz questionar os resultados do estudo, embora os dados empregados pareçam sólidos.

Mesmo com a recuperação da camada de ozônio, espera-se que as emissões de gases de efeito estufa aumentem, ela disse. Assim, a professora prevê que o aumento na temperatura deva causar os ventos a aumentar sua velocidade e ter o mesmo efeito formador de nuvens que o buraco hoje tem. “A questão é ver se o vento está mais lento, o que eu duvido,” disse.

“O futuro não é determinado apenas pela recuperação da camada de ozônio,” afirma. “Nós também estamos aumentando nosso uso de gases de efeito estufa, o que aumenta a velocidade do vento ao longo do ano.”

A professora também ressaltou que o buraco na camada de ozônio não deve se recuperar completamente antes de 2060, segundo o relatório mais recente da Organização Metereológica Mundial.

Fonte: The New York Times, pelo jornal Ultimo Segundo (ultimosegundo.ig.com.br)

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A temperatura e o aprendizado

Estudo da Universidade de Michigan indica que temperaturas acima
de 30°C diminuem em um terço a capacidade intelectual.

Fonte: globo.com (http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL1501023-10406,00-CALOR+PREJUDICA+RENDIMENTO+DE+ESTUDANTES.html).

Parece óbvio, haja vista que não existe nenhum país tropical desenvolvido,
como mostra o mapa do Índice de Desenvolvimento Humano:


Em azul, verde, amarelo e vermelho, os países com IDH alto, médio,
baixo e muito baixo, respectivamente.
Fonte: wikipedia.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

IOD ajuda a prevenir ENSO

Dica de Paulo Barbieri

HONG KONG (Reuters) - Pesquisar os padrões climáticos do Oceano Índico pode melhorar os sistemas de alerta para o El Niño, ajudando a salvar vidas e bilhões de dólares perdidos todos os anos devido ao mau tempo causado pelo fenômeno.

Em um estudo publicado no jornal Nature Geoscience, pesquisadores do Japão e da França disseram que seus novos modelos de previsão do tempo podem antecipar o El Niño 14 meses antes de ele entrar em ação, muitos meses antes dos atuais métodos.

"É importante porque ajuda a melhorar as previsões do El Niño. Isso pode salvar muito dinheiro na agricultura," afirmou por telefone o pesquisador-chefe, Takeshi Izumo, do Instituto de Pesquisa para o Clima Global em Yokohama, no Japão.

O fenômeno El Niño é um padrão climático que ocorre periodicamente sobre o Oceano Pacífico e é conhecido pela destruição que causa, como enchentes, secas e outras formas de clima extremo.

Países em desenvolvimento muito dependentes da agricultura e da pesca são os mais afetados, embora o El Niño de 1997-1998 tenha custado 25 bilhões de dólares aos Estados Unidos, de acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional.

Izumo e seus colegas descobriram que o dipolo do Oceano Índico (IOD, na sigla em inglês), o equivalente ao El Niño nas águas situadas ao sul da Ásia, tem um papel na causa do fenômeno do Pacífico.

"O IOD influencia grandemente a causa do El Niño (no ano seguinte). Nesse estudo, fizemos um modelo simples de previsão, incluímos o índice do IOD e temos uma previsão muito boa do El Niño para o ano seguinte," afirmou Izumo.




A previsão precisa e precoce do El Niño pode ajudar a abrandar a destruição causada pelo fenômeno.

"Devido às grandes consequências do El Niño no clima e ecossistemas globais, e suas fortes consequências socioeconômicas e ecológicas, a previsão do El Niño é importante para a prevenção de desastres e gerenciamento de conseqüências, e ajuda a reduzir as perdas relacionadas ao El Niño," concluiu Izumo.

(Por Tan Ee Lyn)

Fonte: UOL (http://noticias.uol.com.br/ultnot/reuters/2010/02/21/ult729u84449.jhtm)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Gaiola de Faraday: Aviões

O princípio da gaiola de Faraday já foi discutido aqui Papo de Meteoro - Blog sobre Meteorologia: A Gaiola de Faraday

Os exemplos a seguir são relacionados à aviões, como no vídeo abaixo:



E abaixo, a visão dos pilotos de um avião sendo atingido por um raio. Este vídeo,
de 1991, tem um adicional para quem gosta de aviões: mostra desde o início os
procedimentos de decolagem de um Boeing da falecida VASP.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Crônica sobre Sensação Térmica

Texto de Dante Mendonça - Parana Online
Dica: Marcelo Brauer


Sensação térmica




O astrônomo sueco Anders Celsius deve estar se revirando no túmulo e a causa não é a temperatura do inverno europeu. É que o grau Celsius já não vale mais nada. Foi jogada no lixo a escala de temperatura concebida de forma com que o congelamento da água fosse de valor zero e o ponto de ebulição correspondesse a 100.

Sensacional, no Rio de Janeiro não se fala em outra coisa:

- Quantos graus centígrados diz o termômetro?

- 40 graus, mas o aparelho já está fora de linha. Preciso comprar um atualizado, que diga a sensação térmica.

Bons tempos aqueles, quando o Rio era de 40 graus. Hoje, com 50 graus de sensação térmica, a moça do tempo agora assim nos informa: “O tempo continua abafado no Paraná, com boas chances de chuva a partir da tarde. A condição atmosférica favorece possíveis temporais. As temperaturas serão altas em todo o estado, acima dos 30.´C, com a sensação térmica de 35.´C.”

Os tempos mudaram, o aquecimento global mudou o discurso dos ambientalistas, o filme de Nélson Pereira dos Santos vai ter que acrescentar um subtítulo ao nome (Rio 40 graus, com sensação térmica de 50) e nem mesmo vai sobreviver aquela velha polêmica a respeito de onde é mais frio, se em Porto Alegre ou Curitiba?

Num inverno desses, o curitibano viajou a Porto Alegre. Em Curitiba o termômetro do aeroporto Afonso Pena marcava zero grau. Ao chegar, o termômetro do aeroporto Salgado Filho indicava 5 graus. No caminho do hotel, ao comentar que em Curitiba estava bem mais frio, o curitibano precisou ouvir do motorista de táxi:

- Mas bá, tchê! Cinco graus em Porto Alegre é muito mais frio que zero grau em Curitiba!

A galhofa perdeu o sentido porque os gaúchos podem argumentar em favor do taxista, e com toda a razão, que com cinco graus o vento à beira do Guaíba leva a sensação térmica abaixo de zero.

Anders Celsius nunca iria imaginar, mas a nova escala de temperatura está tão na moda que até em Florianópolis os costumes mudaram.

Era hábito dos manezinhos marcarem encontro para tomar a cervejinha gelada depois que passasse o ônibus para Paulo Lopes, município da Região Metropolitana mais ao sul. Veio de uma das figuras folclóricas da ilha, boêmio que tinha como pretexto para levar os amigos ao bar o forte argumento de que o ônibus para Paulo Lopes já havia passado.

- Vamos tomar uma geladinha?

- É muito cedo.

- Como assim, cedo? Ora, cedo... se até o ônibus para Paulo Lopes já passou?

E assim ficou. Virou uma senha. Em pleno expediente na repartição, quando o manezinho sentia a mão tremer por uma loura gelada, pedia ao chefe para se retirar:

- Com licença, mas preciso pegar o ônibus para Paulo Lopes.

E quando ficava até mais tarde no boteco, a mulher o buscava com uma ordem irrecorrível:

- Ô estepor! Para casa que o ônibus de Paulo Lopes já foi e voltou duas vezes!

Hoje a ilha não é mais a mesma. Não mudou de água para vinho, mudou de água para champanhe. Basta ver o desfile de paulistas endinheirados no Jurerê Internacional. Ninguém mais fica de olho no ônibus para Paulo Lopes:

- Vamos tomar uma?

- É muito cedo!

- Cedo? Com essa sensação térmica nunca é cedo para tomar uma gelada!

Essa nova aferição de temperatura deve ser mais um dos efeitos do aquecimento global, fazendo ferver os miolos dos modernos “produtores de conteúdo” em busca da “realidade virtual”. Podem apostar, dentro em breve os personagens dos novos romances de terror não vão mais sentir um “frio na barriga”.

- Ai! Senti uma baixa sensação térmica na barriga!

No rádio, o repórter policial conta as últimas:

- Uma pequena colisão fez o tempo esquentar na Rua Silva Jardim. Mas a sensação térmica entre os dois motoristas era muito maior.

Das notícias que nos chegam do Haiti, até agora só não nos responderam uma pergunta mórbida:

- Afinal, qual é a sensação térmica do inferno?

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Kilimanjaro sem neve

Kilimanjaro sem neve

4/11/2009

Agência FAPESP – Ernest Hemingway, Ava Gardner e Gregory Peck perderam a vez para as mudanças climáticas globais. Se fosse hoje, As neves do Kilimanjaro, conto escrito em 1936 pelo autor norte-americano que virou um dos maiores sucessos de bilheteria nos cinemas em 1952, teria, no mínimo, que mudar o título.

O motivo é que as famosas neves no maior monte da África, com 5,8 mil metros, que sempre pareceram eternas, estão desaparecendo. Segundo um estudo que será publicado esta semana no site e em breve na edição impressa da Proceedings of the National Academy of Sciences, o gelo no topo poderá desaparecer completamente nas próximas duas décadas.

Lonnie Thompson, da Universidade do Estado de Ohio, nos Estados Unidos, e colegas apontam que as temperaturas mais elevadas, em conjunto com as condições mais secas e com menos nuvens, estão contribuindo para a sublimação e o derretimento do gelo no alto da montanha na Tanzânia.

Os pesquisadores combinaram medidas da área congelada obtidas a partir de fotografias aéreas com dados sobre alterações na espessura do manto para determinar em que velocidade o gelo está sumindo.

Segundo eles, a área total coberta pelo gelo encolheu cerca de 85% entre 1912 e 2007. Se as condições climáticas atuais persistirem, o gelo poderá desaparecer em 2022 ou, no melhor dos cenários, em 2033.

Os autores do estudo destacam que embora as neves do Kilimanjaro tenham sobrevivido por 11.700 anos, incluindo secas históricas e alterações climáticas, sem ações de mitigação eficazes as condições atuais poderão não apenas eliminar o gelo na montanha, mas também promover um significativo impacto na vida das comunidades locais na África.

Na figura abaixo, a imagem da esquerda é de junho de 2001 e a da esquerda é de julho de 2009.



Fonte: Agência FAPESP e civilianism.com